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Este espaço abrange textos sobre divulgação científica, cronobiologia, ritmos biológicos, tempo e também serve como um projeto em andamento de intersecção entre ciência&música


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Um Abraço



Leandro Duarte



QUE HORAS SÃO?

MEMORIAL DO AUTOR

1. CURSO DE GRADUAÇÃO (1995-1999)


Comecei o curso de graduação em biomedicina na Universidade de Araras (antiga Fundação Hermínio Ometto) na cidade de Araras/SP em 1995. Cursei um ano nesta instituição municipal almejando por todo primeiro ano letivo do curso o ingresso em uma Universidade Pública Estadual ou Federal. Em geral, o curso de biomedicina de Instituições particulares está desenhado praticamente para a formação do profissional biomédico voltado para a atuação, sobretudo, no campo das análises clínicas e diagnósticos em geral. Meu interesse pela pesquisa científica e a grade curricular de disciplinas básicas do primeiro ano em Araras foram fatores que me permitiram ao mesmo tempo cursar as disciplinas da Faculdade e estudar para o exame do vestibular da Universidade Estadual Paulista-UNESP. Ingressei em 1996 no curso de Ciências Biomédicas do Instituto de Biociências do campus de Botucatu/SP (IBB). A partir de 1997, então no segundo ano do curso, participo do Centro Acadêmico V de junho, órgão que representa a classe discente dos cursos de biologia e biomedicina do referido Instituto. Paralelamente às disciplinas de graduação, inicio estágio de iniciação científica no Departamento de Fisiologia do IBB sob orientação da profa. Dra. Lúcia Helena Bevevino. A professora Lúcia Helena foi responsável pela minha formação na área de fisiologia de membranas. Os trabalhos desenvolvidos durante o ano de 1998 juntamente com outros dois colegas (alunos de iniciação científica) têm os títulos: “Estudo da Cinética de Absorção de Água Através de Diferentes Regiões da Pele de Rana catesbeiana”, “Análise Morfológica e Quantitativa das Células Ricas em Mitocôndria na Pele de Rana catesbeiana” e “Papel do Cálcio Intracelular na Regulação da Permeabilidade à Água no Epitélio de Anfíbios”. Os resultados destes trabalhos foram apresentados no X e XI Congressos de Iniciação Científica da UNESP realizados em 1998 e 1999 respectivamente e no XIV Congresso da Federação de Sociedades de Biologia Experimental (FeSBE). A participação nesses congressos motivou-me a trilhar os caminhos da pesquisa científica na área de Fisiologia Humana
No último ano da faculdade, o curso permite que o aluno dedique-se apenas a realização de estágio (denominada habilitação) e nesse caso escolhi a Fisiologia Humana, continuando o trabalho da iniciação científica. A monografia de conclusão de curso teve o título: “Decurso temporal da resposta hidrosmótica à ocitocina nas regiões pélvica e abdominal da pele ventral de Rana catesbeiana: aplicação de modelo matemático” A orientação da parte matemática ficou a cargo da professora Dra. Maria Teresinha Trovarelli Tornero, o qual pesquisa modelos matemáticos aplicados às Ciências Biológicas. Também cursei a disciplina de Fisiologia Humana novamente como parte dos requisitos obrigatórios para conclusão do curso. Nesta época, tive a oportunidade de participar do Curso de Verão de Fisiologia ministrado na Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto (FMRP/USP), realizando estágio com o professor Dr. Wamberto Varanda, pesquisador da área de biofísica de canais de membrana. Durante três semanas, aprendi noções sobre a técnica de patch-clamp e medidas de potenciais de ação em miócito cardíaco de coelhos.
Em relação às atividades extracurriculares, participei da comissão organizadora do I Encontro Regional de Biomedicina, evento que atualmente se encontra em plena expansão em Botucatu.
Durante a graduação, portanto, inicia-se meu interesse pela pesquisa e docência em fisiologia e pela ciência em geral. Em relação à ciência como um todo, o estímulo do professor Gilson Luiz Volpato foi imprescindível para minha formação científica. O Prof. Gilson trabalha com fisiologia do estresse em peixes e filosofia da ciência e foi orientado pelo professor Katsumassa Yoshino , discípulo do professor César Timo Yaria, pioneiro do estudo da neurofisiologia do sono no Brasil. Inicia-se meu interesse em estudar uma área pouco conhecida e relativamente nova em nosso país: a fisiologia do sono.




2. PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS E CURSO DE PÓS-GRADUAÇÃO - MESTRADO(2000-2003)




Com o objetivo de cursar uma pós-graduação em fisiologia do sono, iniciei minha vida profissional na cidade de São Paulo. Encontrei pesquisadores na Universidade de São Paulo (USP) e na Universidade Federal de São Paulo (UNIFESP). Durante o ano de 2000, realizei estágio no Centro de Estudos e Clínica do Sono com o professor Ademar Baptista Filho, da UNIFESP. Aprendi com esse professor e com a equipe técnica do professor Gilmar Fernandes do Prado a realizar eletroencefalografia e polissonografia. Trabalhava como plantonista realizando a parte técnica de exames de polissonografia, o que permitiu manter-me financeiramente em São Paulo e aprender sobre distúrbios do sono, neurofisiologia do sono e sobre os exames de polissonografia e eletroencefalografia. Paralelamente, conheci meu orientador de mestrado e doutorado, o prof. Dr. Luiz Menna-Barreto pioneiro na implantação da Cronobiologia no Brasil em 1981, o qual lidera o Grupo Multidisciplinar de Desenvolvimento e Ritmos Biológicos na USP desde sua criação. No final do ano 2000 elaborei um projeto de mestrado e estudei para o exame de ingresso do programa de pós-graduação em Fisiologia Humana do Instituto de Ciências Biomédicas da USP.
Iniciei o curso de mestrado como bolsista CAPES e comecei os estudos na área de Cronobiologia. O professor Menna-Barreto trabalha com a linha de pesquisa: Ontogênese do ciclo vigília-sono em humanos. Na ocasião do ingresso no mestrado, meu interesse pela fisiologia experimental iniciado desde a graduação acabou direcionando-me para estudos com modelos animais. Inicialmente, foi um desafio à parte começar uma linha de pesquisa com um estudo diferente da linha de pesquisa central do laboratório, porém, fui sempre incentivado pelo professor Menna e, conseguimos os dois implantar uma linha de pesquisa de ritmos em peixes no Grupo Multidisciplinar de Desenvolvimento e Ritmos Biológicos. O trabalho árduo desta fase (reforma no laboratório, colocação de sistema de controle de temperatura e iluminação, aquisição de equipamentos para manutenção dos peixes no laboratório, entre outros) foi recompensado com o aprendizado sobre os caminhos a serem seguidos na implantação de uma nova linha de pesquisa em uma Universidade.
Desenvolvemos com esse projeto um sistema de coleta de dados de atividade locomotora e alimentação em peixes e o trabalho foi realizado durante os anos de 2001-2003. Cursei as disciplinas de Neurofisiologia Básica, Progressos em Cronobiologia, Introdução ao Estudo da Cronobiologia, Comunidade de Cavernas e Análise de Séries Temporais.
O trabalho desenvolvido no mestrado consistiu em comparar os ritmos de atividade e alimentação entre duas espécies de peixes neotropicais (bagres). Os indivíduos de uma dessas espécies (Pimelodella kronei) habitam ambientes subterrâneos (cavernas) enquanto que os indivíduos da espécie Pimelodella transitoria-grupo de maior parentesco com os P. kronei- habitam o ambiente “externo” ou epígeo. Os bagres P.kronei não possuem sistema visual e são despigmentados, características comuns de organismos troglóbios, ou de ambiente subterrâneo. A idéia de comparação entre organismos epígeos e troglóbios fornece subsídios para discussão sobre a evolução do sistema de temporização circadiana. Nossa pergunta era se os indivíduos “cavernícolas” possuíam ritmos biológicos em um ambiente constante ou com variações cíclicas bem atenuadas. Coletávamos os animais em cavernas localizadas ao sul do Estado de São Paulo e trazíamos para nosso laboratório para realização dos experimentos. Nesta fase, a colaboração e co-orientação da professora Eleonora Trajano do Instituto de Biociências da USP foi imprescindível para realizarmos as coletas dos animais (realizadas no Parque Estadual do Vale do Ribeira-PETAR/SP) e para a discussão dos aspectos evolutivos inseridos no trabalho. Aprendi sobre a área de biospeleologia na ocasião das leituras, coletas de campo e com a disciplina Comunidade de Cavernas ministrada pela Profª. Trajano. Esta parceria com a professora continuou até 2008 e integrei sua equipe em um projeto temático cujos resultados foram a análise dos ritmos biológicos de vários tipos diferentes de organismos cavernícolas. Apresentamos os resultados de meu projeto de mestrado e de outros experimentos paralelos nas XVI, XVII e XVIII Reuniões da Federação de Sociedades de Biologia Experimental, (Águas de Lindóia-SP no III Congresso do Instituto de Ciências Biomédicas, IX Congresso Interno do Núcleo de pesquisa em Neurociências e Comportamento, VII Simpósio Brasileiro de Cronobiologia (Salvador-BA), XXV Conference of the International Society for Chronobiology (Turkia), VII Latin-American Symposium on Chronobiology (Natal-RN).
Paralelamente, ministrei algumas palestras e mini-cursos de Cronobiologia no Instituto de Ciências Biomédicas (ICB/USP) e em outras Universidades. Muito importante para minha formação como docente em Fisiologia foi a participação no estágio docência do Programa de Aperfeiçoamento de Ensino/CAPES junto a disciplina de Fisiologia e Biofísica II para o curso de Farmácia e Bioquímica sob orientação do professor Rui Curi. Nesta ocasião, acompanhei o docente responsável pelo curso e ministrei aulas práticas sobre salivação, digestão, pressão arterial e mecânica respiratória. Um dos professores responsáveis pelo curso editou recentemente o livro “Praticando Fisiologia” e tive a oportunidade de participar como co-autor de dois capítulos desse livro.
Em relação à atividade didática em Fisiologia, destaco minha participação na implantação e coordenação do Curso Teórico-Prático em Ciências Fisiológicas do Instituto de Ciências Biomédicas (Curso de Verão/2003). Este curso atualmente está em plena expansão e é ministrado por pós-graduandos do Departamento de Fisiologia e Biofísica do ICB. O público alvo deste curso são alunos recém formados de diversas Universidades e Faculdades brasileiras que se interessam por pesquisa na área de Fisiologia. Com certeza, essa foi uma das mais enriquecedoras experiências que tive em relação à organização de eventos, prática extensionista, treinamento didático e discussões a respeito de como ensinar Fisiologia para cursos de graduação.
Terminei o mestrado em abril de 2003 defendendo a dissertação: “Cronobiologia do Comportamento Alimentar e atividade Locomotora em bagres epígeos e troglóbios do Alto do Ribeira, SP” Enviamos nessa época para a revista Biological Rhythms Research um artigo que veio a ser publicado em 2005: “Locomotor Activity Rhythms in Cave Fishes From Chapada Diamantina, Northeastern Brazil (Teleostei: Siluriformes)”. A parceria com a prof. Trajano se estendeu até o final do ano de 2008 e publicamos outro artigo: ”Comparative study on free-running locomotor activity circadian rhythms in Brazilian subterranean fishes with different degrees of specialization to the hypogean life (Teleostei: Siluriformes; Characiformes).






3. CURSO DE PÓS-GRADUAÇÃO - DOUTORADO (2004-2008)


Iniciei o curso de doutorado em setembro de 2003 e fui bolsista CAPES-DS até setembro de 2006. Estudei a distribuição de diferentes cronotipos humanos na população brasileira, bem como os ritmos de atividade e repouso, ciclo vigília/sono e ritmo de temperatura em voluntários matutinos, intermediários e vespertinos. Um dos mais importantes aspectos das diferenças de fase dos ritmos circadianos em humanos tem sido denominado diferença de cronotipo ou grau de matutinidade-vespertinidade. A classificação de diferentes cronotipos humanos (matutinos, intermediários e vespertinos) tem sido realizada através da aplicação de questionários e através do estudo de alguns ritmos biológicos. Diferenças de fase entre matutinos e vespertinos são bem conhecidas em relação ao ritmo de temperatura, cortisol, melatonina, ciclo vigília/sono, atividade/repouso, ritmos de humor e desempenho. É de relativo consenso que em relação ao estilo de vida, especialmente no que diz respeito à ritmicidade circadiana, que os indivíduos matutinos conseguem manter uma regularidade maior do que os indivíduos vespertinos tanto adolescentes quanto adultos. Indivíduos vespertinos estão associados com maiores sintomas de ansiedade, depressão, neuroticismo, psicoticismo e desordens psicossomáticas, estresse e riscos de doenças cardiovasculares que os indivíduos matutinos. É possível que o atraso de fase em pacientes deprimidos não seja um simples sintoma da depressão, mas um traço de pré-morbidade ou vulnerabilidade. Conseqüentemente, pode-se especular que os indivíduos matutinos estão protegidos contra a depressão enquanto que os vespertinos apresentam-se mais susceptíveis a este estado patológico.
Em 2004, participei de um importante Simpósio realizado na Universidade Federal de São Paulo: Simpósio Sul Americano de Biologia Molecular do Sono e dos Ritmos Biológicos. Na condição de debatedor, pude apresentar meu projeto de doutoramento, fazer parcerias científicas importantes que resultaram em um projeto temático de nosso grupo de pesquisa que teve a participação de pesquisadores de vários países da América latina (projeto PROSUL/CNPq) no estudo das diferenças de distribuição e genéticas de indivíduos matutinos e vespertinos. Esse projeto viabilizou minha participação um estágio e curso de biologia molecular realizados em 2005 no Departamento de Psicobiologia da Universidade Federal de São Paulo sob orientação do professor Mario Pedrazzoli, e realizar um curso de aperfeiçoamento em Cronobiologia na Universidad Nacional de Quilmes- Buenos Aires/Argentina em 2005.
Co-orientei dois alunos de Iniciação Científica no ano de 2005. Desenvolvemos os trabalhos: “Variação Circadiana de Humor: Comparação entre diferentes cronotipos” e “Análise Comparativa de Parâmetros Rítmicos da Temperatura em Humanos Medida com Termistores e Termômetros Digitais”. Esses trabalhos foram publicados em 2006 na revista Biological Rhythms Research: “Comparative analysis of rhythmic parameters of the body temperature in humans measured with thermistors and digital thermometers” e “Circadian variation of mood: comparison between different chronotypes. O professor Menna-Barreto orientava diversos alunos de mestrado, doutorado e iniciação científica e, em nosso grupo de pesquisa, as parcerias nos desenvolvimentos dos trabalhos são de extrema importância para a boa finalização dos mesmos. Dessa forma, trabalhei em outros projetos analisando, discutindo e coletando dados. Um desses projetos resultou em um trabalho publicado em 2012: Circadian Synchronization linked to a successful treatment in a severely depressed adolescent, na revista Prim. Care Companion CNS Disorder.  Participei de outros projetos de estudo sobre o ciclo vigília/sono de bebês e de gêmeos: “Longitudinal Study of the Sleep/wake cycle of identical twins along the first six months of life” e Breastfeeding, Sleep and Wake circadian Rhythms show distinct Temporal Emerging Patterns” (esse ultimo publicado em 2008). Todos esses trabalhos, juntamente com o meu trabalho de doutoramento, foram apresentados nos Congressos: VIII Simpósio Brasileiro de Cronobiologia, VIII Latin American Symposium Of Chronobiology realizado em Los Cocos/Argentina, XII e XIV Congressos Interno do Núcleo de apoio a pesquisa NaP/NEC (São Paulo-SP), XX Reunião da Federação de Sociedades de Biologia Experimental (Águas de Lindóia), e no IX Latin American Symposium Of Chronobiology, realizado em Havanna, Cuba em 2007.
Em relação à organização de eventos, participei da Comissão organizadora do VIII Simpósio Brasileiro de Cronobiologia como revisor de resumos de trabalhos enviados e como debatedor na mesa redonda “Perspectivas da Cronobiologia no Brasil” e coordenei a Comissão do IX Simpósio Brasileiro de Cronobiologia ambos os simpósios realizados em Águas de Lindóia-SP nos anos de 2003 e 2005, respectivamente.
Como representante discente dos alunos de pós-graduação do programa de Fisiologia, continuei na organização do II, III e IV Cursos de Verão (Curso de Verão/2004-2005-2006), onde pude desenvolver a ideia do ensino de fisiologia integrada. A fisiologia como é ensinada nos cursos de graduação muitas vezes aparece de forma fragmentada e com uma seqüência desmotivadora aos alunos. Nossa proposta foi apresentada no ano de 2004 no Simpósio de Ensino de Fisiologia no Brasil na forma de conferência (“ Nova Proposta de Ensino Teórico e Prático de Fisiologia") da XX Reunião da Federação de Sociedades de Biologia Experimental. Esta proposta tentava buscar dentro do programa tradicional de Fisiologia, temas que poderiam vir a se constituir em questões concretas para os alunos. Ou seja, nos Cursos de Verão ministramos aulas teórico-prática de Estresse, Exercício Físico, Controle Hidroeletrolítico e Metabolismo. A partir dos temas gerais e demonstrações práticas simples, toda fisiologia cardiorrespiratória, digestória, endócrina, renal e do sistema nervoso foi apresentada de forma a abordar o funcionamento do organismo humano como um todo.
Paralelamente, continuei a participar do programa de Estágio docência (PAE/CAPES) e durante o ano de 2004 pude acompanhar o curso de fisiologia ministrado ao curso de Fisioterapia pelo professor Luis Eduardo Ribeiro do Valle. Neste curso, acompanhei de perto as aulas de neurofisiologia e ministrei aulas práticas de fisiologia das sinapses, sensibilidade a dor, às acelerações e visual, sensibilidade tátil, contração muscular e reflexos, dentre outras. Com o estímulo do prof. Ribeiro enviamos um trabalho para o Congresso da FeSBE/2004 cujo tema foi: Levantamento em Ambiente Virtual de Animações e de Simulação de Fenômenos Neurofisiológicos”
No período do doutoramento, vivenciei intensamente a rotina de um professor/pesquisador. A Universidade Pública, penso eu, depende da participação ativa e altruísta de todos os seus discentes, docentes e funcionários. Muitas das responsabilidades do orientador-chefe de laboratório são divididas com seus pós-graduandos mais antigos, o que ocorreu nesta minha fase de formação. Ministrei algumas palestras e mini-cursos de Cronobiologia no Instituto de Ciências Biomédicas e em outras Universidades com destaque para o mini-curso “Cronobiologia o que é e para que serve” apresentado na 56a reunião Anual da SBPC em 2004. Cursei as disciplinas de “Metodologia do Ensino Superior”, “Debates atuais em Ciências Biomédicas”, ”Tópicos Avançados em Fisiologia e Biofísica”, “Etologia Social”, “Práticas Clássicas em Fisiologia” e “Organizando um Curso de Neurofisiologia”.
Em outubro de 2006, ingressei através de concurso público na Universidade Federal do Recôncavo da Bahia como professor assistente. Vivenciei desde então o desenvolvimento da docência associada à pesquisa e extensão e a administração em uma Universidade Pública. A conclusão do curso de doutorado ocorreu no final de 2008 e a defesa em 2009. 





5. DOCÊNCIA NO ENSINO SUPERIOR

(2006-atual)


Iniciei minhas atividades como professor assistente em outubro de 2006 no Centro de Ciências da Saúde (CCS) da Universidade Federal do Recôncavo da Bahia (UFRB), localizado na cidade de Santo Antônio de Jesus-BA. A UFRB faz parte do programa de expansão do ensino superior do atual governo federal. Sendo uma nova universidade, a construção da mesma depende do engajamento do corpo docente em atividades de administração e planejamento. Durante a gestão pró-tempore da direção do Centro, fui convidado a colaborar com a gestão de pesquisa. Esta atividade consistia em criar os procedimentos necessários ao cadastramento de projetos de pesquisa, de grupos emergentes, divulgar editais de financiamento de pesquisa, incentivar docentes e discentes a concorrerem a bolsas de iniciação científica e representar o CCS perante a Pró-Reitoria de Pesquisa e Pós-Graduação da UFRB. Nesta fase, participei de muitas reuniões de planejamento interno relativas à implantação do Conselho de Centro, Colegiados de cursos de graduação, desenvolvimento do projeto do REUNI, bancas de processos seletivos e de concursos públicos. Fui representante dos professores assistentes no Conselho de Centro (2007-2009) e membro do colegiado do curso de psicologia (2007-2008).
Participei do grupo o qual foi eleito o diretor e vice-diretor, professores Luiz Antonio Favero Filho e Fábio Oliveira dos Santos (gestão 2007-2011) como gestor de Pesquisa (2007-2008). Como gestor, pude aprender sobre a administração pública e colaborei com o centro na elaboração de dois editais FINEP/campi regionais, com recursos aprovados na ordem de 1,5 milhões de reais para construção de infra-estrutura para pesquisa. Atuo no projeto: “Implantação do laboratório do Núcleo de Segurança Alimentar e Nutricional do Centro de Ciências da Saúde”. Participei do Comitê Assessor e Local dos Processos seletivos de bolsas PIBIC/CNPQ/FAPESB/UFRB em 2007 e 2008, das comissões Organizadoras do I Seminário de Pesquisa do Recôncavo da Bahia, I Seminário estudantil de Pesquisa e I Seminário de Pós-Graduação da Universidade Federal do Recôncavo da Bahia (2007), Comissão Organizadora do REENCÔNCAVO: recepção e Encontro de Estudantes, Professores, Técnicos-Administrativos e Comunidade do Recôncavo (2008), comissão organizadora do projeto INTEGRA-AÇÃO: apresentação de projetos de pesquisa, ensino, extensão e políticas afirmativas (2008). Fui presidente da comissão organizadora do II Seminário Estudantil & Reencôncavo 2009.2. (2009). Nesses eventos, além de fazer parte das comissões organizadoras, avaliei apresentações orais, fiz parte de mesa-redonda na qualidade de mediador, apresentei mini-curso ou palestra e apresentei trabalho juntamente com meu aluno de iniciação científica, André de Oliveira.
Na área da pesquisa e extensão orientei um aluno bolsista da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado da Bahia com um trabalho que foi parte de minha tese de doutoramento: “Ritmo de Temperatura Periférica como Marcador de Cronotipos Distintos”. A análise individual dos cronotipos caracterizou-se pelo estudo da plasticidade do sistema de temporização circadiana através da análise da organização temporal de voluntários de diferentes cronotipos. Analisamos os ritmos de atividade/repouso, vigília/sono, temperatura periférica do punho, atenção e ciclos de exposição à luz de 32 universitárias voluntárias ao longo de 21 dias consecutivos de coleta. As acrofases dos ritmos analisados correlacionam-se com a pontuação do Questionário de Cronotipo, o que não é o caso dos parâmetros rítmicos do ciclo de exposição à luz. As voluntárias vespertinas que têm compromissos de aulas em horário matutino não apresentaram correspondente avanço de fase dos ritmos analisados, o que representa uma dificuldade de sincronização a horários matutinos. 
Como a Universidade ainda está em processo de implantação, as atividades de pesquisa ficam prejudicadas pela falta de infra-estrutura e pelo deslocamento necessário dos docentes para atividades de administração. Nesse período, participei ativamente da organização da infra-estrutura e das relações de uma recém Universidade com a comunidade local. Na qualidade de gestor de pesquisa, cargo de confiança da direção, substituí o diretor em algumas ocasiões, ajudando também a consolidar parcerias com a prefeitura municipal em torno de eventos regionais (Expo-Mandioca, Seminário contra o trabalho infantil, organização da Semana Nacional de Ciência e Tecnologia). Isso me aproximou da organização das atividades de extensão do Centro de Ciências da Saúde e, juntamente com a gestora de extensão, trabalhamos para a consolidação do Centro nas áreas de pesquisa e extensão.
Defendi a tese em janeiro de 2009 e desde então sou professor adjunto do Centro de Ciências da Saúde. Orientei diversos alunos em dois projetos de pesquisa/extensão: “Exposição Itinerante Ritmos da Vida” (2009), e “Uma Adaptação para o teatro do relato de caso O Homem que confundiu sua mulher com um chapéu de Oliver Sacks” (2009). 
Na área de ensino, ministro as disciplinas de “Fisiologia Humana” para os cursos de Enfermagem e Nutrição e “Fisiologia Humana aplicada à Psicologia” e “Neuroanatomia” para o curso de Psicologia e "Metodologia Científica" para o curso de Enfermagem e Nutrição. Participei da elaboração do projeto político-pedagógico do novo curso de Bacharelado Interdisciplinar em Saúde, em curso a partir de 2010. Colaboro com o Grupo Multidisciplinar de Desenvolvimento e Ritmos Biológicos da Universidade de São Paulo em diversos projetos na área de Cronobiologia. Oriento 8 alunos de iniciação científica e faço parte da Comissão para implantação de Biotério do Centro de Ciências da Saúde, e da Comissão de implantação do Mestrado em Ciências da Saúde do mesmo Centro (processo em avaliação pela CAPES). Retornei as atividades de Gestor de Pesquisa do CCS em Junho de 2013.