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quinta-feira, 24 de março de 2011

Causos de Viagem: a Suécia e o subversivo sol da meia-noite

Por Claudia Carmello



Esse “causo” é meu mesmo, vivido em junho de 2008, numa viagem para visitar amigos em Estocolmo. O texto é lá do ex-blog, mas gosto tanto dessa experiência que achei que ela não podia faltar aqui. 
É um texto sobre o dia em que eu descobri uma coisa assustadora. Sabe aquela verdade que você tem como certa, absoluta, nada mais que a ordem natural das coisas? Pois então: ela pode ser só fruto da sua ignorância. ;)
“Cheguei à Suécia na madrugada passada, num vôo da Ryanair que saiu de Bergamo, na Itália (do aeroporto que eles vendem como Milão – Orio Al Serio, mas que, na verdade, fica em Bergamo).
O vôo atrasou uma hora, então cheguei só 0h40 em Skavsta (aeroporto também a 100 km de Estocolomo). Eu tinha que fazer uma viagem de 1h20 num ônibus até a estação central de Estocolmo e depois pegar um táxi até a casa de um casal de amigos que morava lá. Muito chão pela frente.
Antes de sair de Bologna,  chequei a previsão do tempo – entre 13o e 26o C, com o sol se pondo às 22h e nascendo às 3h30 da madrugada. Pensei, em minha santa ignorância: bom, são bem poucas horas de noite que eles têm no verão, mas eu vou pegar exatamente elas na minha chegada. (Aliás, se não fosse em um país tão perfeitinho como a Suécia, talvez eu tivesse pensado duas vezes antes de chegar de madrugada, sozinha, numa cidade desconhecida, com mala e dinheiro na mão).
Minha surpresa começou quando desembarquei do avião quase 1 da manhã e ainda não estava “noite”. O céu era azul escuro, com um alaranjado sutil no horizonte, de um dos lados. Peguei a mala, entrei no ônibus, e fiquei contemplando aquele céu estranho esperando que a noite chegasse. E não chegava, não chegava. O alaranjado parecia mudar de lado. De repente, veio a “iluminação”: não, fófi, não é só que não está escurecendo. O céu ainda está ficando mais claro do que quando eu tinha chegado. Eram 2 da madrugada e já estava amanhecendo!
Era óbvio, me senti uma idiota. Eu já tinha a informação de que o sol nascia às 3h30. Mas é simplesmente tão “antinatural”, pra nós dos trópicos, um amanhecer a essa hora, que, na prática, é impossível esperar por isso. É como se eu tivesse “descoberto” que a meia-noite é o meio da noite, e não o começo da noite, como nos parece. Ou seja, passada a meia-noite, se o céu não ficou preto, é porque não vai mais ficar.
Digo com toda a humildade: foi tão chocante! Era como se o “mundo” do jeito que eu conhecia estivesse do avesso. Era uma transgressão absurda. Como é que um ciclo tão certo e infalível como o amanhecer e o anoitecer pode falhar assim? “Ah,  cheguei em Estocolmo no dia 5 de junho, em uma noite em que não anoiteceu”. Ãh?
E sabem o quê? Percebi que eu havia chegado ao aeroporto preparada para entrar em um país novo, um país desconhecido, mas que era “só” mais um país europeu, rico, civilizado etc etc. Como se não houvesse choque cultural possível ali. E houve um imenso choque, um choque “natural”.
Como foi espetacular ver que, a despeito do nosso mundo a cada dia mais globalizado, que se repete na moda, nas marcas de sabonete, nas comidas, na música, ainda existem fenômenos naturais que nos lembram da diversidade desse planeta. Não é lindo saber que nem o aquecimento global, nem toda a nossa estupidez vai poder mudar a nossa rota ao redor do Sol?”
 PS: A foto é da casa dos meus amigos em Estocolmo, pelas 3 da manhã, hora em que cheguei, completamente desorientada.


disponível em:
um outro modo de viajar. slow travel. experiências.turismo sustentável




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